
Sob a Luz da Lua
by Fer Caggiano
No firmamento sem nuvens a lua visível corta o céu da manhã fria, dona do espaço suavemente deslizando em direção ao poente, quase plena, quase cheia, crescente, surgindo tarde adentrando a madrugada, saudando o dia, empenhada em ciclos mais antigos que qualquer pensamento humano, influenciando mares e humores, tudo que é líquido é instigado pela lua, tudo que é tempo é persuadido por seu movimento. Gravitando este longínquo pedaço de rocha cuja crosta por atmosfera protegida sustenta a vida, a lua não gosta de contar, mas tem inveja da terra, mais precisamente, inveja esta atmosfera que tantas peculiaridades a vizinha confere, e quando lá do alto a lua observa o mundo terráqueo, faz o possível para ser sentida, o possível para ser vista. Entre os seres que neste momento a lua observam, está o jovem humano Abelardo, sentado na poltrona desconfortável do ônibus em movimento, com os braços cruzados distraidamente olhando para o céu, trocando olhares com a lua enquanto o velho ônibus da linha quatrocentos e quatro corta acelerado as ruas da zona norte do Rio de Janeiro.
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- EmEmanuel SouzaUnclaimed profile
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